quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

COAVE realiza projeto de pesquisa


O Clube de Observadores de Aves do Vale Europeu – COAVE concorreu ao Edital 12/2009 da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina – FAPESC com 18 projetos de diversas entidades da região.

No ano de 2009 teve confirmada a aprovação de seu projeto e em agosto de 2010 recebeu a primeira parcela do valor total de R$ 115.585,90 para a realização do “Levantamento Preliminar da Avifauna dos municípios da 35° Secretaria de Desenvolvimento Regional e Educação Ambiental através da prática da Observação de Aves”. Acompanhe as notícias, no site do COAVE e conheça mais sobre esta pesquisa. No decorrer do projeto, cujo período de realização é de um ano, temas como:

* Metodologias de pesquisa utilizadas; * Vagas para interessados em participar do projeto; * Locais de pesquisa; * Palestras de Educação Ambiental nas escolas da região envolvida; * Desenvolvimento da atividade turística de “Observação de Aves” na região; * Elaboração de um livro/guia de campo com as principais espécies de aves da região; e * Disponibilização dos resultados da pesquisa para a comunidade envolvida, serão postados no site do COAVE. Acompanhe o cronograma das atividades do projeto através da agenda do COAVE. O COAVE agradece à FAPESC por acreditar no projeto e financiá-lo, e à UNIASSELVI pelo constante acompanhamento e apoio desde a formulação deste projeto e ao importante apoio logístico destinado à realização do mesmo. Acesse o site do COAVE e descubra mais detalhes desta pesquisa.

www.coave.org.br

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Iniciou a votação para Ave Símbolo de Blumenau

O Clube de Observadores de Aves do Vale Europeu - COAVE, em parceria com o Grupo UNIASSELVI/Fameblu e demais entidades, promove a partir de hoje, 25 de agosto, a Eleição da Ave Símbolo de Blumenau. A escolha será através de voto popular, com urnas físicas distribuídas pelo município e também pela internet, através deste site. Ao todo serão mais de cem urnas, distribuídas entre escolas municipais, estaduais, particulares e outros pontos de grande circulação, que estão listados no site do clube.

A votação acontece entre os dias 25 de agosto e 8 de setembro. Quatro aves estão na disputa:
Aracuã (Ortalis guttata), Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), Gavião-pombo-grande (Leocopternis polionotus) e Pica-pau-benedito (Melanerpes flavifrons).

A iniciativa, de acordo com o presidente do COAVE, Maicon Mohr, partiu de uma mobilização nacional para que cada município escolha a sua Ave Símbolo. “Para Blumenau, a exemplo das eleições já realizadas pelo COAVE nos municípios de Indaial e Brusque, a escolha será de forma democrática, envolvendo toda a comunidade, através do voto popular. Todas as candidatas fazem parte da paisagem do município, umas mais freqüentes, outras mais raras de serem observadas”. Maicon acredita que iniciativas como esta, com objetivo de promover a conscientização ambiental, sejam um marco para a preservação de todas as espécies.

As aves candidatas foram escolhidas através de um grupo multidisciplinar que envolveu diversos representantes do município de Blumenau, dentre eles, órgãos relacionados ao meio ambiente, setor de educação, poder público e privado, biólogos, gestores ambientais, especialistas em educação ambiental etc.

Após o período de apuração dos votos, que será entre os dias 9 e 11 de setembro, será divulgado o resultado final no dia 13, quando então será dado prosseguimento no processo de aprovação da lei que oficializará a ave escolhida.


Conheça as candidatas:


Aracuã (Ortalis gutatta)


Foto: Maicon Mohr | COAVE

Com o porte de uma galinha pequena, a aracuã possui uma coloração geral parda, ventre acinzentado e garganta avermelhada. Vive em pequenos bandos comendo frutos, folhas, brotos, sementes e insetos. Por um período sua ocorrência na região já não era freqüente, recuperou-se e agora pode ser observada com facilidade e identificada pelo seu canto característico.

Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)


Foto: Daniel de Granville | Photo in Natura

Apresenta o topo da cabeça negro e uma faixa larga branca, acima dos olhos, que circunda a cabeça. Abaixo desta, outra faixa larga, de cor negra, liga a base do bico à nuca. Quando excitados, abrem as penas do boné negro e mostram uma faixa amarelo-forte ou alaranjada, geralmente oculta. Ele é comum na região e facilmente identificado pelo seu canto inconfundível que originou seu nome.

Gavião-pombo-grande (Leucopternis polionotus)


Foto: Gregory Thom

Espécie de porte avantajado, cauda branca com base negra, região do dorso e assas cinza escuro. Alimenta-se de répteis, pequenos roedores e pequenos pássaros. É uma ave ameaçada de extinção devido à destruição se seu habitat.

Pica-pau-benedito (Melanerpes flavifrons)


Foto: Maicon Mohr | COAVE

Espécie multicolor com pescoço amarelo-vivo, barriga vermelha e dorso negro. Bastante barulhento o Pica-pau-benedito é uma ave extremamente sociável, além do casal outros indivíduos do bando também ajudam a alimentar e proteger os filhotes. Tem o costume de estocar comida em buraquinhos naturais ou que ele próprio perfura no tronco de árvores.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Novo site do COAVE

O COAVE (Clube de Observadores de Aves do Vale Europeu) publicou este mês o seu novo site - www.coave.org.br.
Completamente reestruturado, o site conta com uma ampla biblioteca de aves, notícias atualizadas diariamente, material para download, fotos, vídeos, entrevistas e muito mais.
O objetivo do clube com o novo site é aproximar os interessados em aves, educação ambiental e assuntos correlatos, além de divulgar as suas atividades e promover a ornitologia.
Visite, divulgue, sugira, critique, e pode elogiar também.
www.coave.org.br

domingo, 11 de abril de 2010

Entrevista com Fernando Straube

A entrevista abaixo foi originalmente cedida pelo amigo ornitólogo FERNANDO COSTA STRAUBE, para o antigo Boletim Informativo do COAVE, em outubro de 2005.

Straube nasceu em Curitiba - PR em 04/06/1965. É pesquisador de Ornitologia, ciência da qual se ocupa desde janeiro de 1982. É filiado em mais de uma dezena de entidades voltadas à pesquisa em História Natural, conservação de biodiversidade e ciências afins (história, geografia, etnografia, linguística), dentre elas a "Mülleriana: Sociedade Fritz Müller de Ciências Naturais", na qual ocupou o cargo de presidente, entre 1997 e 2002; atualmente é membro do Conselho Fiscal e presidente da Comissão Editorial. É membro-fundador da Sociedade Brasileira de Ornitologia (SBO), sendo também vinculado ao Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (IHGP) e da Herons Specialists' Group da IUCN. Participa atualmente do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos - CBRO. Compõe o grupo organizador da Lista de Discussão de Ornitologia Brasileira - ornitobr. Soma quase 50. 000 horas de pesquisa de campo, dedicadas à observação e coleta de material biológico de vários grupos de animais e plantas, com especial ênfase às aves silvestres.
Participou, como colaborador ou consultor ad hoc, em diversas edições voltadas à Ornitologia, dentre teses de doutorado, dissertações de mestrado, monografias, artigos técnicos e científicos e livros.
Desenvolve atualmente, inúmeros estudos sobre taxionomia, distribuição geográfica, história, atualização conceitual, linguística e etnografia, em franca colaboração com vários estudiosos brasileiros e de outros países. Está concluindo o livro "Harpia e gralha-azul: as aves e os símbolos do Paraná" aprovado para publicação pela Editora UFPR e o "Crônicas de naturalista", um relato sobre as experiências vividas durante quase 20 anos de estudos nas matas e campos brasileiros.

COAVE – Straube, como surgiu o seu interesse pela ornitologia?

Straube – Veio muito cedo nem posso lembrar quando. Todos sabem que a evolução segue suportada por dois componentes: um genético e outro ambiental. Meu trisavô e meu avô eram naturalistas: esse foi o componente genético. E meus pais me deram todo o apoio do mundo para que me dedicasse à pesquisa das aves silvestres, criando um componente ambiental perfeito. Quando eu era muito pequeno, eu copiava os nomes científicos citados em enciclopédias. Aquilo me fascinava, ao tempo em que anotava aspectos da biologia, comportamento etc. Dentre todos os grupos animais, acabei escolhendo as aves. Não sei explicar porque. Eu poderia dizer que foi uma descoberta de um dom, sem ir atrás, sem cobranças pessoais nem nada. Apenas o interesse pela Ornitologia aflorou, espontaneamente... Bem da verdade, as aves eram o melhor instrumento de observação que eu tinha disponível, quando brincava nos terrenos baldios dos arredores de minha casa, no bairro Cabral, em Curitiba. Desse ponto, passei a confrontar as figuras dos livros (ainda muito rudimentares no fim da década de 70) com os animais que eu próprio observava. Com o tempo eu ia aprendendo a me disfarçar no mato e ficar muito quieto, a fim de me aproximar cada vez mais dos passarinhos e vê-los com maior nitidez e detalhes. Aprendi cantos e me instrui a anotar minhas observações... Aos poucos, após o famoso curso para observadores de aves (1982) organizado pelo Pedro Scherer, ingressei na vida científica.


COAVE – Que tipo de benefícios ambientais e sociais a observação de aves pode gerar?

Straube – São muitos. Na verdade eu chamaria de infinitos, pois de tão grandes que são, não consigo ver um horizonte que limite os seus potenciais para o presente e para o futuro. Além disso, eu voltaria a um degrau abaixo da escala ambiental/social: são também infinitos os benefícios educacionais! Quando buscamos uma educação, teremos pouco a nos preocupar com a questão ambiental e social. Se os estrategistas ambientais entendessem e absorvessem logo essa máxima, poderíamos pensar em um futuro melhor para todos. A educação tem de estar em primeiro plano. Nesse sentido, ela fornece estrutura de base - sustentação - para as questões ligadas ao meio-ambiente e à sociedade. Há algum tempo eu tenho planejado uma estratégia que é a criação de uma disciplina, no ensino fundamental. Ela se chamaria "Observação da natureza" e seria ministrada a alunos de pouca idade, logo no começo de suas vidas. Quando você ensina para as crianças as coisas da natureza, não precisa obrigá-las a preservar. Nosso instinto humano já é preservacionista. E as aves, com seu potencial educativo imenso, seriam uma parte grande dessa proposta. Só aqui dá pra ter uma ligeira ideia dos benefícios que a observação de aves traria para o mundo.


COAVE – A atividade pode gerar, de alguma forma, algum impacto ambiental negativo?

Straube – Claro que sim. Porém esses impactos podem ser minimizados ou mesmo eliminados. Basta que os profissionais ligados a essa prática mantenham-se sempre atentos. Eles devem cuidar para que as pessoas mantenham tudo em seu devido lugar e que aprendam que a observação e as recordações são as únicas coisas que poderão tirar da natureza. Aquelas leis de ecoturismo, já enfadonhas, mas obviamente lúcidas, são obrigatórias: não leve nada além de fotografias, não deixe nada além de pegadas... Outra questão é que ainda não estamos preparados para um fluxo muito grande de turistas para observação de aves ou de natureza como um todo. O Parque Nacional do Iguaçu, por exemplo, tem um número ridículo de visitantes interessados em observação de aves, mas mesmo assim, apresenta a maior taxa de visitação de unidade de conservação no Brasil: em média um milhão de pessoas todos os anos. Calcule essa gentarada toda, ou um quarto disso (até mesmo um décimo), visitando anualmente uma área também protegida, porém sem estrutura para receber turistas... Nem que todos esses visitantes fossem ambientalmente conscientes, não haveria como evitar distúrbios à natureza. Então, além de todos os cuidados que devem ser tomados, há a necessidade de formulação de planos para a exploração de ecoturismo.


COAVE – O que o turista estrangeiro procura na avifauna brasileira?

Straube – Embora isso não faça parte do cotidiano do leitor brasileiro, é fácil explicar. Da mesma forma que algumas pessoas colecionam selos, há outras que colecionam recordações. E essas lembranças podem ser temáticas, no caso, espécies de aves. E podem ser organizadas, desta maneira, acompanhadas de locais, datas etc. Muitos e muitos estrangeiros têm um caderninho contendo o nome de todas as espécies de aves que já observaram em suas vidas, adicionados a detalhes alusivos à observação (desenho, tipo de árvore onde ela estava empoleirada, o que estava comendo). Podem ser 50, 100, 500, 1000 espécies... Em alguns países chega-se a estabelecer uma hierarquia para o número de espécies observadas: tem o clube dos 50's, dos 200's e assim por diante. Levando-se em consideração tudo isso, calcule o que pode - primariamente - interessar ao estrangeiro na avifauna brasileira. Temos aqui quase 1.800 espécies de aves [no mundo inteiro são pouco mais de 9.000]. E olhe que esse número ainda é preliminar, visto que muitas e muitas novas espécies têm sido descobertas nos últimos anos e também muitas revisões científicas têm sido feitas. Na minha opinião, o Brasil logo será o país mais rico em aves (ainda perde para a Colômbia e Peru) em todo o mundo. Além disso, há razões paralelas: temos um sistema hoteleiro razoável, transporte aéreo e rodoviário também aceitável, cidades interessantes, belezas cênicas incomparáveis. Há melhor razões para visitar nosso país?


COAVE – Sabemos que a atividade é bastante desenvolvida em outros países, no entanto, no Brasil, apesar da grande diversidade de espécies isto não ocorre. A que isto se atribui, na sua opinião?

Straube – Baseia-se apenas em falhas de estrutura como toda máquina que não funciona. Matéria-prima tem e de sobra. O que falta é saber como utilizá-la. O turista pensa que aqui não terá bons guias; pensa que terá problemas de segurança e que poderá ser assaltado por um índio que lhe apontará uma flecha envenenada com curare ao desembarcar no Galeão... Em parte ele está certo: terá dificuldade em encontrar bons (e bilíngües - isso é muito importante!) guias e até poderá ser assaltado logo ao chegar. Mas não é só isso. Essas fatalidades estão passíveis de ocorrer em qualquer lugar do mundo e aqui não será diferente. O problema é que existem, sim, ótimos guias, mas não há campo de trabalho para eles. Dessa forma, grande parte dos guias especializados em observação de aves acaba trabalhando nisso apenas como um trabalho eventual. E porque não há campo de trabalho? Porque as empresas de turismo ainda não descobriram esse filão! E porque não descobriram? Porque são mal organizadas, porque fazem um turismo pré-histórico baseado em pacotes básicos de visitas a lugares mais do que conhecidos... Comodismo, eu diria. É incrível: se aqui temos hotéis bons, transporte aéreo e rodoviário razoáveis, comida boa e barata e, além de tudo, uma das maiores riquezas de aves no planeta, porque então não se explora isso nos pacotes de turismo? Porque raios os turista birdwatcher estrangeiro tem de - ele próprio - planejar o seu próprio roteiro de viagem, indo atrás de guias, de lugares etc? Desafio todos os leitores a procurarem pela internet alguma empresa brasileira que ofereça profissionais especializados em observação de aves e, claro, que sejam bilíngües. Existem, eu sei. Mas elas suprem a carência que temos aqui para o já enorme público de observadores de aves que querem visitar o Brasil apenas para "ver passarinhos"? Com certeza não. Por certo, uma pequena pesquisa de mercado seria o estopim para uma revolução no turismo brasileiro. Basta ter vontade.

PALAVRA ABERTA

Meu recado vai para várias frentes de turismo. Gerentes de grandes empresas: arrisquem! Incluam, experimentalmente, pacotes com observação de aves em seus planos comerciais. Contratem profissionais especializados e inovem. Governo brasileiro: eduque! Monte caravanas itinerantes para ministrar cursos para guias de observação de aves para crianças e jovens; leve essa ideia para todo o País! Guias de turismo: estudem e aprendam outras línguas, o momento certo está chegando!
Fernando Costa Straube

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Entrevista com Reynier Omena Júnior


A entrevista abaixo foi originalmente cedida pelo ornitólogo e guia de birdwatching Reynier Omena Júnior, para o antigo Boletim Informativo do COAVE, em dezembro de 2005.
Omena é graduado em Ciências Biológicas, Especialista em Aves e em Gestão e Análise Ambiental, Consultor em Ecoturismo e em Meio Ambiente.

COAVE – Você dedica seu tempo a ornitologia há 15 anos. Neste período, que tipo de mudanças você tem percebido no mercado turístico?

Omena – No Amazonas, a procura por roteiros especializados em observação de aves tem aumentado nos últimos quatro anos, mas de forma pouco expressiva. Talvez esse reduzido fluxo seja um sintoma da falta de divulgação dos atrativos naturais que interessam a esse segmento, pelos operadores sediados no Amazonas e no Brasil. No entanto, operadores estrangeiros que divulgam e “vendem” esses atrativos nos países em que estão sediados, têm mantido anualmente seus roteiros para observar no Amazonas e no Brasil.

COAVE – Como foi a experiência de abrir mão de uma carreira em uma grande empresa para dedicar-se à observação de aves?

Omena – Eu trabalhei cerca de 15 anos em um banco Estadual. Observar aves sempre foi um hobby. Eu só tinha os finais de semanas e feriados para me dedicar a ele, quando ia para sítios de amigos e matas ao redor da cidade. É um hobby que tem algum custo que eu mesmo custeava. Às vezes recebia convite de agências locais para guiar grupos de observadores mas eu não tinha disponibilidade de tempo, por causa do banco. Decidi, então, aproveitar um programa de demissão incentivada que o Banco fez, pus um site na internet para vender excursões para observar aves no Amazonas e ingressei num curso de Ciências Biológicas e hoje estou formado. Essa escolha foi uma das mais bem feitas, hoje trabalho com ecologia de aves, meio ambiente, ecoturismo e também dou consultoria nessas áreas.

COAVE – Levando em consideração que o Amazonas é a sua principal área de atuação, e a sua experiência, que local você considera mais atrativo para os turistas de Observação de Aves?

Omena – No Amazonas existem muitos lugares excelentes para se observar aves, tanto pertos de Manaus quanto distantes. Eu vou citar alguns roteiros pertos de Manaus: Presidente Figueiredo, Rio Ariaú e Silves. Esses destinos possuem endemismos e espécies interessantes como Galbula leucogastra, Xiphorhynchus necopinus e espécies interessantes como Cercromacra laeta, Gymnoderus foetidus, Rupicola rupicola entre outras.

COAVE – Que espécies de aves atraem mais a atenção dos turistas de observação de aves?

Omena – Sem sombra de dúvida é o galo-da-serra (Rupicola rupicola), que sempre arranca expressões de espanto e de admiração de todos os turistas que têm a oportunidade de vê-lo em nossas excursões, a cerca de 10 a 15m de distância.

COAVE – Qual o fluxo dos observadores de aves que você guia anualmente?

Omena – Por força de minhas ocupações nesses últimos 2 anos, eu tenho guiado poucos grupos. Para ser mais exato, eu guiei cinco grupos e passei três pedidos de excursões para outro ornitólogo. A partir do próximo ano estarei mais disponível, por isso, nesse início de ano que vem, investiremos mais nesse segmento, criando novos roteiros e desenvolvendo uma estratégia de marketing mais agressiva para atrair o segmento. Em geral, as excursões são sempre marcadas para o segundo semestre: julho a dezembro, porque coincide com o verão. No entanto, às vezes surgem pedidos para excursão de janeiro a março.

COAVE – Qual o perfil da maioria dos observadores de aves que você guia?

Omena – Em geral são dos Estados Unidos e Canadá, vindo tanto homens quanto mulheres (não saberia precisar quanto de cada, mas parece ser equilibrada). A faixa etária oscila entre 45 a 50 anos de idade, em geral são pessoas já estabilizadas financeiramente, empresários, professores, pessoas que possuem formação superior.

PALAVRA ABERTA

No Brasil, são potenciais destinos para observadores de aves, a Mata Atlântica, o Cerrado, as serras, as florestas de terra firme da Amazônia e muitas outras formações vegetais, que abrigam uma fauna de ave singular. Mas é preciso que alguém anuncie essa diversidade biológica para os observadores de aves que estão espalhados na Europa e anuncie como eles poderão observar essas espécies.
Reynier Omena Júnior
E-mai: omena@birding.com.br

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia Mundial da Água

Em comemoração ao Dia Mundial da Água apresento a Carta Escrita em 2090

Foto: Maicon Mohr

Escrevo esta carta com uma profunda amargura e arrependimento. Estou sobrevivendo em condições precárias, em um mundo caótico, dominado pela fome, miséria, crime e desespero.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas da minha comunidade, e tenho apenas 55 anos, mas a minha aparência é de alguém de 90 anos. A média de idade é de apenas 35 anos.
Respiramos um ar envenenado e o nosso alimento é 90% sintético. Muitas crianças jamais viram uma fruta. Recordo quando tinha 10 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas florestas, rios e vales verdejantes. A casa tinha bonitos jardins e eu podia desfrutar de um longo banho de chuveiro. Agora usamos toalhas embebidas em azeite mineral para limpar a pele.
Antes, as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, raspamos a cabeça para mantê-la limpa sem água.
Antes, meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje as crianças não acreditam que utilizávamos a água dessa forma. Duvidam quando dizemos que algumas pessoas varriam calçadas e davam descargas em vasos sanitário com água potável. As piscinas são uma mentira, para elas.
Recordo que os engenheiros ambientais diziam para CUIDAR DA ÁGUA, só que ninguém lhes dava atenção. Eram chamados de ecochatos, impediam o “progresso”. Agora, todos os rios, barragens, lagoas e lençóis subterrâneos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados.
Por falta de água a rede de esgotos não funciona. O ar atmosférico é pútrido e nauseante. As doenças renais, as infecções gastrointestinais e as enfermidades da pele são as principais causas de morte. Com o ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter 50 anos.
A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fabricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam os empregados com água potável em vez de salário. Antes, a quantidade de água indicada como ideal para se beber eram oito copos por dia, por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água. O oxigênio disponível na atmosfera foi drasticamente reduzido por falta de árvores. As novas gerações tem baixo coeficiente intelectual devido a escassez de oxigênio e de alimentos.

Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos. Como conseqüência, há muitas crianças com deformações e insuficiências.

O governo até nos cobra pelo ar que respiramos: 137m3 por dia por habitante adulto. Quem não pode pagar é retirado das “zonas ventiladas”, dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar. Não são de boa qualidade, mas se pode respirar.

Em alguns países restam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exercito. A água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mas do que o ouro ou os diamantes. Com frequência há violências pela posse da água. Aqui não há arvores porque quase nunca chove. E, quando chega a ocorrer uma precipitação, é de chuva ácida.
As estações do ano foram severamente transformadas pelas provas atômicas e pela poluição das cidades e das indústrias do século xx. Imensos desertos constituem as paisagens que nos cercam.

Advertiam que era preciso cuidar do meio ambiente, mas ninguém ouviu. A prioridade era ganhar dinheiro e comprar coisas. Destruíam as florestas dizendo que era para criar empregos e trazer o progresso.
Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo como eram belas as paisagens. Falo das chuvas e das flores, do ar puro, da água cristalina, do prazer de tomar um banho em uma cachoreira e poder pescar nos rios e lagos, beber toda a água que quisesse. O quanto nós éramos saudáveis!

Ela pergunta-me:

- Papai! Por que a água acabou?
Então, sinto um nó na garganta!
Não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que destruiu o meio ambiente, sem prestar atenção a tantos apelos.

Sinceramente, creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.

Como gostaria de voltar no tempo e fazer com que toda a humanidade entendesse isso. Deixasse de ser tão ignorante e pudesse mudar as coisas, enquanto ainda é possível...

Fonte: Genebaldo Freire Dias. Atividades Interdisciplinares de Educação Ambiental. Pg 127.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Você já pagou para observar de aves?

Foto: Juliana Marcelino Mohr

Meus amigos,

A última enquete deste blog demonstrou resultado interessante sobre o volume de pessoas que pagaram, não pagaram, pagariam ou não pagariam para praticar a atividade de Observação de Aves. Participaram da enquete 18 pessoas e o resultado foi:
- Paguei pelo guia (monitor) - 1 voto (5%);
- Paguei a entrada do parque - 7 votos (38%);
- Paguei pelo pacote - nenhum voto;
- Nunca paguei, mas pagaria - 7 votos (38%);
- Nunca paguei e não pagaria - 3 votos (16%).
O universo amostral é muito pequeno, mas posso concluir que entre o meu grupo de amigos, conhecidos, ou seguidores que não conheço, o índice de pessoas que se dispõe a pagar pela atividade é de 81%.

O que você percebe com esse resultado?